01 — Uma mudança técnica também pode ser uma mudança de produto.
Alterar fornecedor, API ou arquitetura pode modificar comportamentos mesmo quando a interface quase não muda.
CASE / 01
Dados, regras de negócio e decisões de produto durante uma mudança estrutural.
Uma migração de bureau de crédito pode parecer uma troca de fornecedor.
Na prática, mudar a origem dos dados também significava rever estruturas, classificações, processamento e regras que sustentavam diferentes comportamentos do produto.
Durante a migração da Foregon para uma nova estrutura de dados de crédito com a Quod, participei do entendimento e da organização dos impactos dessa mudança, conectando discussões entre Produto, Engenharia e Negócio.
CONTEXTO
Parte dos produtos e serviços da Foregon dependia de informações provenientes de bureaus de crédito.
Ao longo do tempo, comportamentos do produto haviam sido construídos considerando a estrutura e as regras da fonte anterior.
Por isso, a mudança não significava apenas substituir uma API. Precisávamos entender o que continuaria disponível, como os dados seriam estruturados, armazenados, atualizados e quais partes do produto dependiam deles.
DESAFIO
A nova fonte podia retornar diferentes categorias financeiras.
Tecnicamente, receber essas informações era apenas uma parte do problema.
O produto ainda precisava definir como cada registro deveria ser interpretado, quando deveria ser considerado uma pendência e como informações novas substituiriam dados anteriores.
“Um dado só ganha significado dentro do produto quando existem regras capazes de interpretá-lo.”
MEU PAPEL
Meu papel não era definir a arquitetura de software.
Era compreender suas implicações para o produto, organizar relações, questionar comportamentos e ajudar Produto, Engenharia e Negócio a construir uma visão compartilhada do problema.
SISTEMA / 01
A informação não saía diretamente do bureau para o produto.
Existiam etapas de ingestão, armazenamento, processamento, aplicação de regras e consumo por diferentes serviços.
Visualizar esse caminho ajudou a tornar explícitas dependências que antes estavam distribuídas entre áreas e pessoas.
Separar origem, ingestão, armazenamento, processamento, regras e consumo tornou mais claro onde cada decisão precisava acontecer.
ORIGEM → INGESTÃO → ARMAZENAMENTO → PROCESSAMENTO → REGRAS → CONSUMO
COMPORTAMENTO DO SISTEMA
Parte do processamento aconteceria de forma assíncrona.
Isso significava considerar estados intermediários: uma atualização podia estar em processamento, um dado anterior podia continuar armazenado ou uma dependência externa podia falhar.
O usuário não precisava conhecer uma fila SQS, mas sentiria suas consequências através da disponibilidade e confiabilidade da informação.
SISTEMA / DADO
Score e pendências não eram informações necessariamente estáticas.
Era necessário discutir quando consultar novamente, quando persistir novos dados, quando manter registros anteriores e quando uma atualização deveria disparar outros eventos.
A migração também revelou que algumas regras existentes eram consequência do funcionamento do fornecedor anterior.
O objetivo não deveria ser apenas reproduzir o comportamento atual em uma arquitetura nova.
A mudança também criava uma oportunidade para questionar quais premissas ainda deveriam continuar existindo.
COLABORAÇÃO
Uma decisão de Negócio podia alterar uma regra de Produto.
Essa regra podia modificar o processamento técnico.
Uma limitação descoberta pela Engenharia podia exigir que Produto revisitasse uma decisão.
O trabalho avançava por dependências e revisões contínuas.
QUESTÕES EM ABERTO
Algumas decisões dependiam da integração real, outras de validação com a Quod ou de definições de Negócio.
Tornar essas incertezas explícitas evitava que hipóteses temporárias se transformassem silenciosamente em regras definitivas.
“Documentar o que ainda não sabemos pode ser tão importante quanto documentar aquilo que já foi decidido.”— isso ainda é hipótese.
RESULTADO
A migração estruturou a transição para uma nova fonte de dados de crédito e exigiu revisar dependências entre integração, armazenamento, processamento e regras do produto.
Mais importante do que substituir um fornecedor foi explicitar premissas da estrutura anterior e decidir quais delas ainda faziam sentido.
Ao separar origem do dado, processamento, interpretação e comportamento de produto, tornou-se mais claro onde cada problema precisava ser resolvido e quais áreas deveriam participar da decisão.
REFLEXÃO
Alterar fornecedor, API ou arquitetura pode modificar comportamentos mesmo quando a interface quase não muda.
Mapear dependências, organizar incertezas e criar entendimento compartilhado também fazem parte do trabalho.
Mapas, fluxos e documentação podem funcionar como ferramentas para construir uma visão compartilhada entre pessoas que enxergam partes diferentes do sistema.
“Design também acontece na estrutura de decisões que determina o que o produto consegue fazer.”